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CASO DE MIELITE QUE TEVE A HIPNOSE COMO TERAPIA AUXILIAR

Essa cliente, senhora de 43 anos, secretária, poliglota, estava sendo analisada por mim quando a 1 de outubro de 1981 foi acometida por uma mielite transversa causada por vírus.
Nesta data foi internada com paralisia e anestesia até à altura da 5ª vertebra torácica correspondente à região mamilar. Os esfíncteres não funcionavam. Assim, ela não evacuava e não conseguia reter a urina. Foi-lhe aplicada sonda vesical de demora que só foi retirada por ocasião da alta. Os exames complementares confirmaram a hipótese de virose.
O prognóstico era sombrio. Em raros casos, havia cura espontânea, ela poderia ficar paralítica ou morrer. Havia também a possibilidade de paralisia cerebral com conseqüente cegueira, surdez, perda de fala e embotamento da consciência.
Segundo a explicação do neurologista, estava havendo desmielinização das bainhas nervosas mas, se a agressão virótica não perdurasse por muito tempo elas poderiam se remielizar prodigalizando cura total.
O tempo de internação deveria ser na melhor das hipóteses de 2 a 3 meses. Ela esteve internada de 1º a 23 de outubro. Saiu do hospital 2 dias após ter tirado a sonda vesical. Saiu pelos seus próprios pés.
As medicações feitas foram polivitamínicos, benzodiazepínicos e laxativos. No 4º dia iniciou-se fisioterapia e a corticoterapia.
Devido à urgência do caso, propus ao colega que a acompanhava, uma hipnoterapia. Essa paciente já havia sido hipnotizada por mim quando sofrera um trauma emocional e a recuperação fora rápida e eficiente. Dispôs-se então a se submeter à hipnose.
Sendo pessoa culta e inteligente, resolvi colocá-la a par do que lhe acontecia pois tinha a certeza de que, sabendo de toda a extensão da verdade iria consciente e inconscientemente organizaram sistema de defesa em prol de sua higidez.
Foram feitas 9 sessões de hipnose nos dias: 1,3,4,5,8,10,12,15 e 18 de outubro. Todas as sessões tiveram basicamente o mesmo plano de sugestões.
Após o relaxamento progressivo, sugeria que naquele momento, todo o seu sistema imunitário estava sendo mobilizado no sentido de eliminar os vírus que estavam agredindo o sistema nervoso. Sugeri um quadro mental no qual ela veria que, no líquor que banha a medula, esses micróbios estavam morrendo e sendo levados para a região coccígea, onde seus restos seriam absorvidos e eliminados pelo organismo. Assim sendo, não haveria mais lesão acima da região atingida e ao mesmo tempo as bainhas de mielina que já haviam sido lesadas começariam a se recompor imediatamente.
No 1º dia sugeri que seus pés se moveriam no dia seguinte. Nesta data eu estava de plantão e só passei pelo hospital rapidamente; não pude hipnotizá-la mas tive a satisfação de ver que ela estava mexendo com os dedos dos pés. Em contrapartida havia tido uma progressão da hipossensibilidade para ambos os braços.
Nos dias 3,4 e 5 reforçamos as sugestões dadas no início e acrescentamos outras relacionadas ao funcionamento dos esfíncteres.
No dia 8, sugerimos que se lembrasse de situações agradáveis da infância. Ela se recordou do dia em que ganhou uma bicicleta e do dia em que presenciou a inauguração da estátua de um almirante na praça onde costumava brincar. Esse almirante, por conscidência tinha o sobrenome de sua família. Estimulei-a a sentir, naquele momento, a mesma alegria que sentira quando ganhou a bicicleta e andou ela pela primeira vez. Pedi-lhe que quando conseguisse ter a mesma intensidade de alegria levantasse o dedo indicador da mão direita. Quando ela o fez, disse-lhe que em breve sentiria uma alegria maior ainda porque logo estaria andando novamente. Continuei dizendo que a estátua do almirante, com o sobrenome de sua família, tinha vindo à sua memória para relembrá-la que dentro dela havia uma personalidade tão forte quanto a de um almirante e que, por isso, ela já poderia se sentir vitoriosa na luta travada contra a virose. Após 15 dias, ela estava conseguindo mexer com as pernas. O neurologista mostrava-se espantado não só com a rápida evolução do processo de regeneração como também com o ânimo da paciente que se manteve durante todo o tempo calma e confiante, diferentemente das situações de depressão, desanimo ou desespero que estava acostumado a presenciar nos outros pacientes.
Nas sessões seguintes ela já tinha a certeza de que ficaria curada e disse ter feito uma promessa ao santo de sua devoção de ir à sua igreja assistir uma missa em ação de graças. Passei a reforçar sua Fé sugerindo que ela se visse entrando na igreja onde seus parentes e amigos a esperavam.
Fiz a última sessão do dia 18, ficando de voltar no dia 23. Nesse dia recebi seu telefonema para ir visitá-la em casa pois já tinha tido alta. Disse-me, muito feliz que, só para sentir o gosto da liberdade, tinha passado no supermercado e feito algumas compras.
Neste caso muitas considerações devem ser feitas porque precisaríamos ter um embasamento estatístico para podermos discutir os reais efeitos da hipnoterapia em toda a evolução no processo de cura.
No entanto, podemos afirmar que a hipnose diminuiu o tempo de remissão dos sintomas e da hospitalização, assim como, ajudou a paciente a enfrentar o sofrimento físico com um mínimo de abalo moral.
Atualmente, em novembro de 1984, essa senhora trabalha em uma firma multinacional que lhe proporciona viagens ao Exterior. Com exceção de caríssimas crises de incontinência urinária que acometem quando ela está muito cansada, a sua saúde física e emocional tem-se mantido equilibrada.

Lais Helena da Rocha - CREMERJ: 5209981-4
Presidente da SOHIMERJ
Publicada pela revista Brasileira de hipnose clínica e experimental volume 5 Ano 1984

 

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