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A IMPORTÂNCIA DA HIPNOSE

Dr. Paulo Roberto Meller

Há pouco tempo o Conselho Federal de Odontologia normatizou a Hipnose, entre outras práticas integrativas e complementares à saúde bucal (Homeopatia, Fitoterapia, Florais, Laserterapia e Acupuntura), Resolução CFO-82/2008. Além do reconhecimento e aprovação dessas práticas, foram estabelecidas normas que norteiam a formação e capacitação profissional, ou seja, a habilitação do cirurgião-dentista nessas terapêuticas, bem como a devida aplicação das mesmas na Odontologia.
O processo de regulamentação da habilitação em Hipnose, adequando esta prática ao cotidiano do cirurgião-dentista com o objetivo de assegurar um tratamento mais humanizado é, sem dúvida, uma conquista, um reconhecimento, enfim, um avanço notável. Eu diria que não deixa de ser uma boa conquista — só que incompleta. Pois, como o título deste artigo sugere, acredito que a Hipnose deve ir além, deve tornar-se especialidade. E seria ótimo que as demais práticas também conseguissem.
Mesmo sabendo-se que a Hipnose não é um tratamento em si, mas apenas um recurso que o profissional dispõe dentro do contexto de um tratamento, sua utilização requer um estudo aprofundado que leva necessariamente o profissional a especializar-se. Especializar, de acordo com o dicionário “Aurélio”, significa a dedicação e diferenciação em uma determinada área.
Além de aprofundarem-se no assunto, dedicando-se inclusive a um estudo multidisciplinar (entre os quais neuropsicofisiologia, psicologia e psicossomática), os profissionais da área de saúde que utilizam a Hipnose a consideram uma filosofia de trabalho. Sabem que ela não se restringe somente a um procedimento particular ou isolado como, por exemplo, induzir uma analgesia ou uma anestesia em um paciente. Sua abrangência é bem maior, pois o profissional exerce influência através de tudo o que faz. Eu diria que uso elementos da Hipnose, de alguma forma ou de outra, muitas vezes por dia. Por exemplo, através da escolha das palavras que uso para me comunicar, no tom ou altura da voz, no estado de humor, nos gestos, atitude e postura, na expressão facial, no conhecimento, na simpatia, na credibilidade e tantos outros. Enfim, a Hipnose na área de saúde se torna uma filosofia que integra, faz parte e se expressa em cada aspecto do comportamento do profissional, dos membros da equipe, bem como do ambiente no qual trabalha.
Ao falar da importância da Hipnose tornar-se especialidade, cumpre-me lembrar o alerta do saudoso professor Dr. Antonio Carlos de Moraes Passos, um dos grandes conhecedores do assunto, referindo-se à Hipnose Clínica: “Aprender as técnicas é relativamente fácil. Pode ser feito em quatro ou cinco dias. Mas a partir daí, o que fazer com a pessoa hipnotizada?”. Isto é, “Não basta hipnotizar, é preciso saber o que fazer depois”. Nunca é demais insistir que a hipnose implica em conhecimentos específicos da área na qual o profissional atua, como também uma série de outros.
Infelizmente, quando se fala em Hipnose, ainda encontra-se muito preconceito sobre o assunto. E o pior, por parte de profissionais. Só não fico mais surpreso porque já vi esse filme antes. Até há pouco tempo, só para citar um exemplo, quando se falava sobre Homeopatia, alguns profissionais da área de saúde diziam que se tratava de “coisa da comadre ou da vovó...”. Igualmente, quando era citada a Acupuntura, alguns diziam que “é coisa de chinês...”. E por aí afora. Essas especialidades, mesmo tendo sido criticadas e banalizadas, se tornaram grandes especialidades da Medicina.
Aqui quero chamar a atenção para o mais importante de tudo isso, ou seja, o porquê de falarem tais coisas. Simplesmente por total desconhecimento do assunto! E sabemos que quando uma pessoa fala o que não sabe, no mínimo está mentindo. Isso, de falarem o que não sabem, faz eu concordar plenamente com Paulo Maluf, quando disse com muita propriedade: “A pior coisa do mundo é burro com iniciativa”. A idéia central que está por baixo disso é que esses profissionais não liam, não se informavam, não se davam conta que a era do especialista já havia passado há muito tempo, pois o mercado passou a exigir o “generalista” especialista em alguma coisa. Portanto, já faz tempo que os profissionais da área de saúde trabalham tendo em mente a transdisciplinaridade e a interdisciplinaridade. Disso tudo, é importante assinalar que não conhecer a Hipnose ou alguma outra prática não é o problema, mas condená-las sem saber de suas utilidades é um grande erro.
O preconceito e as idéias errôneas sobre a Hipnose são formados por aquilo que as pessoas viram, por exemplo, em filmes ou novelas cuja abordagem foi equivocada. Portanto, é difícil conciliarem a sua percepção da natureza da Hipnose como algo sobrenatural e enigmático com o sério e valioso uso da mesma num ambiente clínico como, por exemplo, na Odontologia, ou mesmo em qualquer outra área de saúde.
Quando rotulamos alguma coisa passamos a enxergá-la a partir do nosso ponto de vista, ignorando assim o seu real significado. E a solução só depende de nós, transformando ou modificando o nosso modo de pensar. Deepak Chopra resume o assunto da maneira seguinte: “Você não pode levar ao mundo o mesmo eu desgastado e esperar que o mundo seja novo para você”. E como dizia o compositor Cazuza, “O tempo não pára”. Da mesma forma a evolução da Hipnose também não pára, pois já há algum tempo deixou de ser um tabu.
De um modo geral, os profissionais que trabalham com a Hipnose — uma vez conhecedores de seus benefícios (e para quem quer avaliar os grandes benefícios da mesma, basta acompanhar os trabalhos que são feitos nos grandes centros de estudo do Brasil e do mundo) — sentem a necessidade dessa prática estar mais presente nas mais diversas atividades de saúde, bem como que os novos profissionais saiam dos cursos mais capacitados a trabalhar com a mesma.
Ao tornar-se especialidade, aumentará o interesse dos profissionais pela Hipnose, haverá um melhor reconhecimento pelas entidades de classe, comunidade acadêmica e pela mídia, o que consequentemente fará com que as pessoas também tenham um maior interesse pela mesma tendo em vista os seus benefícios. Certamente, os cursos de especialização irão exigir um maior treinamento do profissional, com benefícios tanto para este quanto para o paciente.
Cabe a cada um de nós, profissionais da área de saúde e hipnólogos, esta sublime missão de colocarmos a Hipnose na posição profissional que ela merece, tornando-a conhecida e respeitada, desprovida de mitos e preconceitos, mostrando a sua importância e respectivo diferencial. Seja através de palestras, promovendo cursos, escrevendo artigos, conversando informalmente, participando de eventos, adentrando nas universidades, graduações, etc. Com o mínimo que façamos já será possível ampliar horizontes.
Milhares de pessoas no mundo inteiro já foram ajudadas com a Hipnose, bem como outras tantas conseguiram ajudar imensamente a si mesmas com a Auto-Hipnose. Espero que, com o advento da especialidade, o número de profissionais e consequentemente de pessoas beneficiadas com esse potente recurso aumente significativamente.
Algumas coisas nesta vida tem um valor inestimável e podermos ajudar as pessoas com a Hipnose e partilhar com elas os bons sentimentos que existem em nossos corações, podem ter certeza, é muito importante, muito gratificante. A felicidade pode estar chegando para a outra pessoa, mas a alegria é nossa por termos sido os facilitadores. E as palavras de Madre Teresa de Calcutá expressam isso melhor do que eu poderia fazê-lo: “Não podemos fazer grandes coisas nesta terra. Tudo que podemos fazer são pequenas coisas com muito amor”.

*Cirurgião-Dentista Especialista em Ortodontia pela USP/Bauru e Habilitado em Hipnose pelo CFO. Formação multidisciplinar: Odontologia, Direito, Marketing (Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro), Psicanálise Clínica (Mestrado em Psicopatologia), Psicanálise Didata, Parapsicologia, Programação Neurolinguística, Hipnose Clínica Clássica, Psicoterapia e Hipnose Ericksoniana, Hipnose Condicionativa, etc. 

Paulo Roberto Meller - Cirurgião-Dentista Ortodontista e Habilitado em Hipnose pelo CFO / Membro da Comissão Científica do 1º Congresso Sulamericano de Hipnose / Coordenou a Apresentação de Trabalhos de Odontologia / Proferiu Palestra sobre o Tratamento com Hipnose de Medos, Fobias e Bruxismo, bem como demais hábitos orais. 

 

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